quarta-feira, 10 de abril de 2013

Perereca da Vizinha: " chá das cinco com tapioquinha"


Da Perereca da Vizinha:

A culpa é do Angelim! Viva a República do Pará!




 Pensei, pensei e concluí que a culpa de todos os problemas do estado do Pará é daquele leso do Eduardo Angelim.

Sim, porque se Angelim tivesse aceitado a oferta da Inglaterra*, caro leitor, o Pará teria virado uma Nação independente.

Independente em termos, é claro.

Na verdade, seríamos, disfarçadamente, uma colônia inglesa.

Mas você há de convir que toda a impressionante corrupção que grassa por aqui, teria, ao menos, algum charme.

Afinal, seria tudo em inglês: de “corrupto-ladrão-vigarista-filho-da-mãe-parasita-vagabundo”, ao dinheiro desviado.

Nem precisaríamos do Marques de Pombal para acabar com o nosso nheengatu: o inglês seduziria a todos nós, os de nariz furado.

Seria money and beer pra cá, money and beer pra lá…

E você já imaginou a inveja dos brasileiros?

Enquanto eles estariam às voltas com esse Congresso Nacional vagabundo, nós teríamos uma Câmara dos Lordes!

Tudo bandido, é verdade.

Mas, ainda assim, lordes...

Teríamos até chá das cinco com tapioquinha, invenção tão esplêndida que os ingleses estariam a exportar.

Sem falar que o Mário Couto, em vez de senador e de acabar com o futebol paraense, seria o presidente da Tapioca’s Company of Pará. Apenas.

E até poderia ter orgulho de ficar conhecido como “Mário Tapiocouto”...

Seríamos maiores que o Suriname, as ilhas Cayman, quem sabe até, a Suíça das Américas!

Afinal, como nação independente, poderíamos assumir o contrabando, o tráfico de drogas, de armas, de pessoas, a lavagem de dinheiro escancarada e todas as patifarias que existem por aqui, em profusão tal que nenhum país do mundo seria páreo para nós!

Como nação independente, também poderíamos organizar a nossa bandidagem.

Primeiro, mandaríamos para Jacareacanga todas as pessoas que se recusassem a saborear a tapioca.

Isso evitaria que os nossos meritíssimos tivessem de recorrer à censura, ou até às perseguições judiciais, contra os jornalistas.

Ou que tivessem de anular as sentenças de magistrados “metidos a honestos”.

Ou que vivessem levando puxões de orelha desse tal de CNJ.

A Solução Jacareacanga evitaria até mesmo que o nosso Ministério Público andasse às voltas com disputas intestinas.

Porque a gente pegaria esse pessoal tipo Nelson Medrado e mandaria tudo pra lá.

Assim, também não teríamos assassinatos de advogados, extrativistas, freiras e tantas outras lideranças.

Todos estariam felizes da vida, lá em Jacareacanga, ajudando a proteger a natureza e a criar um mundo melhor...

O passo seguinte seria estabelecer limites territoriais para a nossa criminalidade.

A escancarada lavagem de dinheiro, por exemplo, ficaria restrita a Belém e ao Nordeste do Pará.

Afinal, se até um sobrinho do governador lava dinheiro abertamente nessas duas regiões, é porque elas possuem uma vocação natural para tão relevante serviço.

E aí as nossas enorrrmes lavanderias poderiam funcionar a pleno vapor – já pensou quanto é que isso nos renderia em euros ou libras esterlinas? – sem qualquer preocupação com essas tais de Receita e Polícia Federal (que, a bem da verdade, nem funcionam mesmo no estado do Pará...).

Isso nos permitiria internalizar riqueza: além de não precisarem mais disfarçar lavagem de dinheiro com futebol ou com empreendimentos imobiliários, os nossos bandidos não precisariam viajar para outro paraíso fiscal.

Também não precisariam mais pagar por diplomas, medalhas e homenagens, ou se sentirem constrangidos quando acusados de corrupção: todos seriam apontados, com orgulho, como exemplos de corruptos bem sucedidos. E levariam diplomas e medalhas de cara.

Passaríamos à História como os autores do primeiro Zoneamento Bandido-Ecológico do mundo (ZBE).

Um magistral experimento de velhacaria!...

O mais importante, porém, caro leitor, é que se o Pará fosse uma Nação independente não teríamos essa tola esperança de que, um dia, esse país tão distante chamado Brasil olhará para nós.

Não viveríamos na expectativa de uma intervenção para estabelecer a República e nos livrar de toda essa corrupção e banditismo.

E nem seríamos mais essa “coisa” anedótica, exótica, distante, da qual o Brasil só se lembra na hora de afanar riquezas e construir hidrelétricas, para grandes mineradoras e grandes cidades brasileiras, mesmo que à custa de mais e mais miséria e destruição da natureza, para o povo do estado do Pará.

Agora mesmo fala-se em mais duas hidrelétricas, às proximidades da nossa Santarém.

Agora mesmo, quando ainda estamos às voltas com os graves problemas sociais causados na região de Belo Monte, como o crescimento dramático da violência, inclusive, contra as nossas crianças e adolescentes.

Iremos protestar, fechar estradas, destruir ensecadeiras; o MPF entrará com uma tonelada de ações judiciais, mas, eles passarão...

E o que ficará para nós, novamente, serão milhares de desempregados, legiões de miseráveis sem casa, saúde ou educação; estupro e prostituição das nossas mulheres e crianças.

Porque ao Brasil pouco importa se os nossos rios virarem rios de sangue.

Desde que a Vale e São Paulo tenham energia para os seus empreendimentos, para o Brasil, ficará tudo muitíssimo bem...

Dificilmente deixaremos de ser cidadãos de segunda para aquela grande Nação.

E é por isso que temos é de acabar com essa história de homenagens ao leso do Angelim.

E fazer, enfim, aquilo que ele não teve coragem de fazer.

Viva a República do Pará!

Viva o Pará independente!

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*Mais recentemente, documentos teriam demonstrado que a Inglaterra não ofereceu ajuda a Angelim, para que ele proclamasse a República do Pará. Tudo não passaria do já tão conhecido ufanismo paraense.
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