sexta-feira, 13 de julho de 2012

Descaso do governo do estado com o Marajó

Porto está com rampa provisória


O embarque e desembarque de passageiros no Porto do Camará, em Salvaterra, no Marajó, está ameaçado. Há anos que o local não passa por manutenção e reforma. Na última quarta-feira, 12, a rampa de acesso de passageiros quebrou pouco antes de duas embarcações atracarem. Os passageiros ficaram presos durante horas nos navios, a espera da instalação de uma rampa improvisada para o desembarque. A situação é ainda mais alarmante porque não se trata de um caso isolado na região O abandono também afeta os Terminais Hidroviários de Soure, Salvaterra, Cachoeira do Arari e Santa Cruz do Arari – que recebem uma grande quantidade de turistas nesta época do ano. Aproximadamente 4 mil turistas viajam ao Marajó por dia. Os moradores fazem um abaixo assinado para entregar ao Ministério Público, onde cobram providências para solucionar o problema.

Desde dezembro do ano passado que a população do Marajó denuncia os transtornos provocados pelo abandono dos portos em suas cidades. O fato começou a ganhar repercussão depois que um píer flutuante furou e afundou no porto do rio Camará, em Salvaterra. Uma balsa de pequeno porte foi colocada no lugar, porém deveria ter sido usada somente enquanto não se instalava um novo píer. Depois disso, a rampa de acesso que liga o trapiche a balsa – onde passageiros embarcam e desembarcam - começou a sofrer fissuras, até que esta semana quebrou de vez. Por sorte, ninguém ficou gravemente ferido.

De acordo com o radialista e blogueiro Dário Pedrosa, o transtorno era anunciado. “A rampa já estava quebrada e foi remendada com cabos de aço e fios de nylon, até que esta semana quebrou de vez”, disse. Ele informou também que na quarta-feira a Defesa Civil Municipal chegou a interditar o porto – que só foi liberado na madrugada de ontem, depois que uma rampa provisória foi instalada.

Para o motorista de van Adriel Santos, que trabalha no transporte de passageiros que chegam a Salvaterra, o problema prejudica diretamente o desenvolvimento econômico de toda aquela região, sobretudo nesta época do ano. “A situação aqui está muito ruim. A balsa improvisada ficou permanente e o píer até hoje não foi colocado um novo ou consertado o outro”, reclamou. Adriel reforça que o desembarque e embarque de passageiros nos portos da região estão sendo feitos de forma improvisada e com riscos a pessoas. “Poderá acontecer um acidente fatal. Idosos e crianças caminham por ela. Deficiente físico (cadeirante) já não tem mais acesso”, comentou.

A diretora de Normatização e Fiscalização da ARCON, Suzana Lobão, reconheceu a existência do problema e afirmou que a manutenção do Porto do Camará, em Salvaterra, e demais municípios do Marajó é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Transporte (Setran). “A ponte (rampa) estava com fissuras e rompeu, mas uma equipe instalou uma nova também em caráter provisório”. Suzana frisou que o transporte fluvial de passageiros para o Marajó não está prejudicado, nem comprometido. “Nós estamos conseguindo atender toda a demanda de pessoas que viajam para o Marajó”, comentou.

A reportagem procurou saber da Setran a que se deve a falta de manutenção nos portos e terminais hidroviários no Marajó e também por que o píer flutuante no porto do Camará, em Salvaterra, não foi trocado. Em nota, a Secretaria de Estado de Transportes informa que está construindo uma nova escada de metal para atender os usuários do porto de Camará, em Salvaterra. A nova escada de metal será instalada nesta sexta-feira, 13. Quanto a situação do pier, os técnicos da Setran estarão no local avaliando quais providencias serão necessárias para permitir o embarque e desembarque com conforto e segurança. A Associação de Trabalhadores do Porto do Camará faz um abaixo-assinado para ser entregue ao Ministério Público, denunciando o abandono dos portos do Marajó.

(Diário do Pará)

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