terça-feira, 14 de junho de 2011

Por que a moda brasileira rejeita a raça negra?

Brasil 247:
Foto: AGÊNCIA ESTADO

Na abertura do São Paulo Fashion Week, protesto de negras acorrentadas denuncia discriminação racial nas passarelas; à esq., desfile de abertura da grife Animale: 13 brancas, nenhuma negra; onde estão as nossas Naomis?

– Há dois anos, a Rede Globo apresentou pela primeira vez uma novela com uma protagonista negra: a belíssima Thais Araújo, que encarnava uma modelo famosa. Há mais de uma década, uma das modelos mais bem pagas do mundo é também uma negra: Naomi Campbell. No Brasil, porém, não há uma modelo negra famosa. E essa realidade marcou o dia de abertura do São Paulo Fashion Week, a maior mostra de moda da América Latina, cuja 31ª edição promete movimentar R$ 2 bilhões em negócios. Tudo porque o estilista Oskar Metsahvat, titular da grife Osklen, disse que teve dificuldades para compor um casting com modelos negras. Resultado: elas apareceram acorrentadas na entrada da SPFW, em São Paulo. Queriam dizer que no Brasil, um país multirracial, democrático e de pele escura, elas são sabotadas sim pelas grandes agências. Os primeiros desfiles só mostraram brancas. No da Animale, por exemplo, houve um momento com 13 modelos na passarela. Todas brancas.

A reclamação das negras foi barulhenta e contundente. Ao som de palavras de ordem evocando maior presença de modelos negros nas passarelas do SPFW, os manifestantes, que integram a ONG Educafro (www.educafro.org.br), agitavam bandeiras com cores da Jamaica e distribuíam panfletos. A discussão é antiga, já que há algumas edições foi estabelecida a cota de ao menos 10% de modelos negros em todos os desfiles da SPFW, mas a questão permanece atual. A Osklen não sabe ainda se vai conseguir reunir seu casting para o desfile que é, exatamente, inspirado na influência da cultura negra na moda brasileira (folclorismos à parte, a coleção promete trazer uma leitura nova e ousada).

A Educafro diz que o objetivo do protesto é propor mudanças na forma de participação de modelos negros e negras na SPFW, fazendo com que estilistas aumentem de 10% para 20% a participação deles nos desfiles do evento. Diz ainda que é inaceitável a atual padronização europeia nos desfiles de moda no Brasil.

O ideal seria que as cotas não fossem nem necessárias. Até porque as negras são lindas. Lindíssimas. E representam o que é o Brasil real.

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