terça-feira, 17 de novembro de 2009

Documentário “Salvaterra, Terra de Negro” é premiado em festival




Da Redação
Agência Pará


Foto /Waleska Fernandes
Roda de tambor de crioula em comunidade quilombola do Pará: a diversidade cultural dos remanescentes de escravos é destaque no documentário


O documentário paraense "Salvaterra, Terra de Negro" foi premiado na IV Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, realizada de 27 a 31 de outubro em Manaus, capital do Amazonas. Dirigido por Priscilla Brasil, o filme mostra a luta de uma comunidade quilombola do Arquipélago do Marajó pela posse da terra e preservação de sua identidade cultural. O documentário foi realizado pelo Instituto de Artes do Pará (IAP), em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

Em sua quarta edição, a Mostra Amazônica do Filme Etnográfica tem como tema a reflexão e a discussão sobre os problemas da região por meio da produção audiovisual. "Salvaterra, Terra de Negro" foi um dos três trabalhos que receberam o troféu "Muiraquitã". Os outros dois foram "O Areal", de Sebastian Sepúlveda, e "Picolé do Aranha", de Anderson Mendes. A mostra exibiu, ainda, filmes como "Chico Mendes - Eu quero viver", "Homens, Máquinas e Deuses" e "Uma dádiva para a floresta".

Inicialmente, o filme foi concebido como um registro cultural e artístico das manifestações das comunidades quilombolas de Salvaterra, município do Marajó. Mas após uma pesquisa inicial, os roteiristas Vladimir Cunha e Priscilla Brasil perceberam que a relação com a terra era um tema comum a todos os entrevistados. "Era um povo confinado e isolado por conta do crescimento das fazendas em torno de suas comunidades. À medida que continuávamos com a pesquisa para o roteiro, fomos descobrindo o quanto essa situação afetava essas pessoas em todos os níveis, pois comprometia não só o seu livre trânsito pela região, mas também todas as suas atividades, como a pesca, a agricultura, o lazer e até mesmo suas manifestações religiosas", explica Priscilla.

Diversidade - Para Júnior Soares, gerente de Artes Literárias e Expressão de Identidade do IAP, além da questão socioeconômica, outra surpresa revelada pelo filme foi a diversidade cultural das comunidades quilombolas do Marajó. "Esperávamos encontrar apenas o carimbó, mas acabamos nos surpreendendo com as ladainhas em latim, o boi-bumbá marajoara e os cultos afrobrasileiros. São manifestações muito ricas e diversas, que só podiam ter surgido em uma região com características muito específicas. A meu ver, essa riqueza cultural foi muito bem representada pelo filme e ganhou muito mais importância quando se percebe que ela está atrelada à luta pela posse da terra", afirma ele.

Segundo Jaime Bibas, presidente do IAP, a premiação de "Salvaterra, Terra de Negro" cumpre um dos principais objetivos do projeto: o registro e a divulgação das manifestações culturais das comunidades quilombolas. "Ficamos muito felizes com essa premiação, pois ela é a prova de que o filme está cumprindo o seu papel de divulgar não só a cultura dessas comunidades, mas também de provocar a reflexão em torno das condições nas quais elas vivem. São discussões importantes, que esperamos que ganhem força com a exibição do documentário em outras mostras e festivais brasileiros", diz Bibas.

Além do documentário, o Instituto de Artes do Pará planeja o lançamento de um livro baseado nas comunidades retratadas no documentário. Existe, ainda, a possibilidade de dar continuidade ao registro das comunidades quilombolas do Estado. "Nos anos anteriores fizemos uma série de documentários chamada ‘Terra de Negro'. Foram três volumes sobre os quilombolas paraenses. Está em nossos planos dar continuidade a esse trabalho de registro e resgate cultural dessas comunidades", informa Júnior Soares.

Ascom/ IAP
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