quinta-feira, 30 de abril de 2009
CPT - Divulga nota contra Gilmar Mendes
Os recentes pronunciamentos do Presidente do Supremo Tribunal Federal Ministro Gilmar Mendes, após a morte de quatro seguranças de uma fazenda em Pernambuco, acusando o Governo Federal de cometer ato ilícito ao repassar dinheiro público aos movimentos dos Sem Terra, que estariam praticando atos ilegais,segundo ele. A Comissão Pastoral da Terra divulgou uma nota repudiando os comentários e revelando estatísticas sobre as violências praticadas contra o pequeno produtor rural:De 1985 a 2007 foram registradas 1.117 ocorrências, com a morte de 1493 trabalhadores rurais, desses crimes somente 85 foram julgados, com a condenação de 71 executores e absolvição de 49.Dos mandantes, 19 foram condenados, todos estão em liberdade.Contra esses crimes, incluindo a morte da irmã Dorothy,a violência sofrida pelos trabalhadores no campo, a grilagem das terras públicas e a exploração da mão-de-obra-escrava. Gilmar Mendes silenciou. De que lado ele está ?
terça-feira, 21 de abril de 2009
HORÁRIO DE NAVIOS E BALSAS


Saída de Salvaterra para Belém
Navio Araparí / Banavi (tempo médio de viagem: 03:30 h
segunda a Sábado
06:30 e 15:00 h
Domingo: 15:00 h
Catamarã Álamo saída:Catamarã Álamo saída 15:30h, todos os dias (exceto às quartas-feiras), tempo médio de viagem 02:00 h
Balsa para Icoarací Tempo médio de viagem 04:00 h
segunda a sábado 16:00h
Domindo 16:00 e 17:00h
"Boa Viagem"
Saída de Belém para Salvaterra/Soure
Navio Araparí / Banavi
Segunda a Sábado
06:30 e 14:30 h
Domingo: 10:00 h
Tempo estimado de viagem, 03:30h
Catamarã Álamo: 08:30h, todos os dias (exceto às quartas-feiras); 02:00h de viagem
Balsa saindo de Icoarací:Segunda a Sexta 06:30h
Sábado 04:00 e 06:30h
Tempo estimado de viagem, 04:00h
"Boa Viagem"
Nota do MST contesta versão da Globo sobre ocupação no Pará
SAIU NO VERMELHO
21 DE ABRIL DE 2009 - 21h18
Nota do MST contesta versão da Globo sobre ocupação no Pará
Sobre o espisódio, muito repercutido pelos diversos programas da Rede Globo, em relação à ocupação do MST a uma fazenda na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o movimento esclarece em nota, divulgada neste sábado (20), que ''os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças''. Segundo o MST, ''os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar''. A versão vai na contra-mão da difundida pela emissora.
Leia abaixo a íntegra da nota.
MST esclarece acontececimentos no Pará
Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar.
Esclarecemos também que:
1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.
2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.
3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.
4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de “escudo humano”, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.
5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo – como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.
6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.
7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA 150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.
21 DE ABRIL DE 2009 - 21h18
Nota do MST contesta versão da Globo sobre ocupação no Pará
Sobre o espisódio, muito repercutido pelos diversos programas da Rede Globo, em relação à ocupação do MST a uma fazenda na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o movimento esclarece em nota, divulgada neste sábado (20), que ''os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças''. Segundo o MST, ''os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar''. A versão vai na contra-mão da difundida pela emissora.
Leia abaixo a íntegra da nota.
MST esclarece acontececimentos no Pará
Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar.
Esclarecemos também que:
1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento.
2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas.
3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento.
4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de “escudo humano”, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada.
5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo – como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara.
6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio.
7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA 150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar.
HISTÓRICO
Salvaterra Pará - PA
Histórico
O município de Salvaterra, foi colonizado por volta do século XVIII, pelos frades jeusuítas que se instalaram na vila de Monsarás, sede do município. Entre os povos que habitavam essa região, predominavam os índios da tribo Sacaca descendente dos Aruans, grupo lingüistico indígena dos mais importantes no Brasil, que deixaram uma herança de grandes obras de arte em cerâmica que se desenvolveu ao longo dos anos em toda a ilha do Marajó.
Quanto a vegetação, predominam as palmeiras (coqueiros, najazeiros e açaizeiros), em muitas áreas da zona rural se conservam as matas de igapó, as matas de várzeas, além de uma grande extensão de campos naturais.
Localizada à margem da Baia do Marajó, com o Rio Paracauarí, Salvaterra limita-se ao norte, com o município de Soure, separando os dois municípios, o rio Paracauarí. Ao nordeste e leste pela Baia do Marajó. Ao sul, sudeste e oeste, pelo município de Cachoeira do Arari, separando os dois municípios, o Rio Camará e Rio São Miguel.
Durante muitos anos a economia concentrava-se em três produtos: o gado, a pesca e o coco-da-bahia. Hoje com o desenvolvimento da agricultura, mais especificamente na cultura do abacaxi, o município passou a incluir esta produção como uma das principais fontes da economia local, atualmente o município conta com 443 h, plantadas com uma produtividade equivalente a 30.000 frutos/h, já tendo sido considerado o principal exportador do Estado do Pará. Em segundo lugar, vem a mandioca com uma área de 14 h plantado com uma produtividade de 600 kg/h. O milho, o arroz e o feijão também são cultivados, com freqüência, mas apenas para subsistência.
Gentílico: salvaterrense
Formação Administrativa
Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, figura no município de Soure o distrito de Salvaterra.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.
Elevada à categoria de município com a denominação de Salvaterra, pela lei estadual nº 2460, de 29-12-1961, desmembrado de Soure. Sede no antigo distrito de Salvaterra. Constituído de 5 distritos: Salvaterra, Condeixa e Joanes. Desmembrado do município de Soure, Jubim e Monsarás criados pela mesma lei do município de Salvaterra. Instalado em 13-02-1962.
Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído de 5 distritos: Salvaterra, Condeixa, Joanes, Jubim e Monsarás.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.
Fonte: IBGE
Histórico
O município de Salvaterra, foi colonizado por volta do século XVIII, pelos frades jeusuítas que se instalaram na vila de Monsarás, sede do município. Entre os povos que habitavam essa região, predominavam os índios da tribo Sacaca descendente dos Aruans, grupo lingüistico indígena dos mais importantes no Brasil, que deixaram uma herança de grandes obras de arte em cerâmica que se desenvolveu ao longo dos anos em toda a ilha do Marajó.
Quanto a vegetação, predominam as palmeiras (coqueiros, najazeiros e açaizeiros), em muitas áreas da zona rural se conservam as matas de igapó, as matas de várzeas, além de uma grande extensão de campos naturais.
Localizada à margem da Baia do Marajó, com o Rio Paracauarí, Salvaterra limita-se ao norte, com o município de Soure, separando os dois municípios, o rio Paracauarí. Ao nordeste e leste pela Baia do Marajó. Ao sul, sudeste e oeste, pelo município de Cachoeira do Arari, separando os dois municípios, o Rio Camará e Rio São Miguel.
Durante muitos anos a economia concentrava-se em três produtos: o gado, a pesca e o coco-da-bahia. Hoje com o desenvolvimento da agricultura, mais especificamente na cultura do abacaxi, o município passou a incluir esta produção como uma das principais fontes da economia local, atualmente o município conta com 443 h, plantadas com uma produtividade equivalente a 30.000 frutos/h, já tendo sido considerado o principal exportador do Estado do Pará. Em segundo lugar, vem a mandioca com uma área de 14 h plantado com uma produtividade de 600 kg/h. O milho, o arroz e o feijão também são cultivados, com freqüência, mas apenas para subsistência.
Gentílico: salvaterrense
Formação Administrativa
Em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, figura no município de Soure o distrito de Salvaterra.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.
Elevada à categoria de município com a denominação de Salvaterra, pela lei estadual nº 2460, de 29-12-1961, desmembrado de Soure. Sede no antigo distrito de Salvaterra. Constituído de 5 distritos: Salvaterra, Condeixa e Joanes. Desmembrado do município de Soure, Jubim e Monsarás criados pela mesma lei do município de Salvaterra. Instalado em 13-02-1962.
Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído de 5 distritos: Salvaterra, Condeixa, Joanes, Jubim e Monsarás.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.
Fonte: IBGE
A tragédia do brigue "palhaço"
"A insurreição foi geral. Por toda a parte aonde houve um homem branco ou rico a quem matar e alguma coisa a que roubar aparecia logo quem se quisesse encarregar desse serviço, e deste modo ainda hoje estão em rebeldia todo o Alto e Baixo Amazonas."
Brigadeiro Soares Andréia em relatório ao Ministro da Guerra, Belém do Pará, 1836
Quase uns trezentos homens sufocavam no porão do brigue “Palhaço” ancorado nas aforas do porto de Belém do Pará quando a gritaria começou. Berravam por água e por ar. Asfixiavam-se. Eram do 2º Regimento de Artilharia de Belém que se insurgira contra a junta governativa em agosto de 1823. Quem os prendeu e os removeu para a masmorra flutuante foi o comandante Greenfell, um daqueles ingleses oficiais de marinha a soldo de D. Pedro I, que lá estava para assegurar a integração do Grão-Pará ao Brasil recém independente.
Assustados com a barulheira dos encarcerados, meio endoidecidos pelo calor e pela sede, a tripulação da improvisada galé os acalmou a tiros e à noite espargiu sobre eles, ainda empilhados lá embaixo, uma nuvem de cal. Na contagem matinal do dia seguinte, no dia 22, só deram com 4 vivos. Dias depois restou só um, João Tapuia. Morreram 252 milicianos e praças, sufocados e asfixiados. Um pavor acometeu o Pará. O interior ferveu. Gente comum morrera como bicho.
Quanto a responsabilidade pela tragédia, como sempre ocorre, ninguém a assumiu. Para milhares de tapuias e de caboclos paraenses, genericamente chamados de “cabanos”, devido as choças que habitavam, a independência até então não dissera a que veio. Agregou-se a isso o fato dos poderosos locais, quase todos portugueses, donos do comércio grosso e de vastas terras, ainda reservavam para si o controle das instituições, e que, como ativista do partido dos “Caramurús”, almejavam reatar com Lisboa na primeira oportunidade que houvesse.
(*)KIDDER, Daniel Parish (1815-1891); FLETCHER, James Cooley (1823-?)
Brasil e os brasileiros, O; esboço histórico e descritivo. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1941, p. 2v
Brigadeiro Soares Andréia em relatório ao Ministro da Guerra, Belém do Pará, 1836
Quase uns trezentos homens sufocavam no porão do brigue “Palhaço” ancorado nas aforas do porto de Belém do Pará quando a gritaria começou. Berravam por água e por ar. Asfixiavam-se. Eram do 2º Regimento de Artilharia de Belém que se insurgira contra a junta governativa em agosto de 1823. Quem os prendeu e os removeu para a masmorra flutuante foi o comandante Greenfell, um daqueles ingleses oficiais de marinha a soldo de D. Pedro I, que lá estava para assegurar a integração do Grão-Pará ao Brasil recém independente.
Assustados com a barulheira dos encarcerados, meio endoidecidos pelo calor e pela sede, a tripulação da improvisada galé os acalmou a tiros e à noite espargiu sobre eles, ainda empilhados lá embaixo, uma nuvem de cal. Na contagem matinal do dia seguinte, no dia 22, só deram com 4 vivos. Dias depois restou só um, João Tapuia. Morreram 252 milicianos e praças, sufocados e asfixiados. Um pavor acometeu o Pará. O interior ferveu. Gente comum morrera como bicho.
Quanto a responsabilidade pela tragédia, como sempre ocorre, ninguém a assumiu. Para milhares de tapuias e de caboclos paraenses, genericamente chamados de “cabanos”, devido as choças que habitavam, a independência até então não dissera a que veio. Agregou-se a isso o fato dos poderosos locais, quase todos portugueses, donos do comércio grosso e de vastas terras, ainda reservavam para si o controle das instituições, e que, como ativista do partido dos “Caramurús”, almejavam reatar com Lisboa na primeira oportunidade que houvesse.
(*)KIDDER, Daniel Parish (1815-1891); FLETCHER, James Cooley (1823-?)
Brasil e os brasileiros, O; esboço histórico e descritivo. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1941, p. 2v
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