quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Exuberância do Marajó surpreende e encanta profissionais de turismo


Eliseu Dias/ Ag. Pa A praia de Joanes é uma das mais visitadas por quem opta pelo turismo ecológico na ilha do Marajó












Cláudio Santos/ Ag. Pa A praia do Pesqueiro também é outro ponto de atração de turistas que visitam a ilha do Marajó



Da Redação
Secretaria de Comunicação



A Ilha do Marajó fica a aproximadamente 3 horas de barco da capital paraense. Mas ainda há quem desconheça que pertinho de Belém exista um verdadeiro paraíso de belezas naturais e exotismo. De passeio de búfalo ao conhecimento do artesanato indígena, o ecoturismo realizado na costa leste da ilha tem atraído cada vez mais os olhares do mundo para o local.

"Não encontrei pontos negativos. Foi uma grande surpresa que superou as expectativas, principalmente a visita à fazenda (São Jerônimo, em Soure), onde se percebe um programa duplo, unindo agricultura e turismo", comenta Sham Bida, operador de turismo do Suriname, um dos 15 integrantes do famtur ao Marajó, viagem de familiarização para que empresários da atividade turística possam conhecer os atrativos de um destino, ocorrida no início deste mês. A iniciativa foi promovida pela Companhia Paraense de Turismo (Paratur), durante a V Feira Internacional de Turismo da Amazônia (Fita), que ocorreu de 12 a 15 de agosto, no Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

A Fazenda São Jerônimo foi um dos pontos alto do famtur ao Marajó. No local, que oferece pousada e almoço com as melhores iguarias da região, os atrativos ficaram por conta do passeio no mangue, feito sob pontes construídas com bambu, uma criação do dono do local. Para chegar ao mangue, os visitantes viajam de barco a remo pelo rio Tucumanduba até chegar à praia do Goiabal. Do local, que recebe água tanto do oceano Atlântico quanto do Rio Pará, retornam à fazenda montados em búfalos, animais típicos da região, que possui a maior criação do Brasil.

Soure, Salvaterra, Joanes e Ponta de Pedras são as localidades que mais atraem turistas por estarem localizadas próximos à costa. Além de visitas técnicas a pousadas e hotéis de Soure e de Salvaterra, o grupo também visitou praias, assistiu a shows de danças folclóricas e conheceu mais sobre o artesanato marajoara e a fabricação do curtume - couro do búfalo, retirado durante o abate, com o qual são confeccionadas sandálias, bolsas, carteiras e outros objetos. Sham Bida filmou e fotografou toda a viagem. O material abastecerá o DVD que ele pretende produzir para divulgar a ilha no Suriname.

À frente de uma agência de turismo no Rio de Janeiro e visitando o Marajó pela terceira vez, o suíço Peter Hagnauer lembrou que, para quem opta pelo turismo ecológico, é vital contar com a qualidade e a personalização dos atendimentos, percebida por ele em muitos dos locais visitados durante o famtur. "A Fazenda São Jerônimo, com toda a sua simplicidade, tem charme e tem a dedicação dos donos. O refinamento está nessa presença", comentou, destacando ainda a pousada O Canto do Francês. O conhecimento técnico e a experiência demonstrada pelos guias de turismo, outra exigência do ecoturismo, acrescentou Hagnauer, foi mais um ponto positivo desta viagem de reconhecimento.

Para a turismóloga Lydia Brito, representante do Comitê de Turismo da Guiana Francesa no Produto Turístico Combinado da Amazônia (PTCA), a viagem ao Marajó foi surpreendente. "Ninguém imagina o que se pode encontrar aqui", disse ela, que ficou impressionada com os búfalos. As aves também têm atraído o turista, principalmente o estrangeiro, observa o guia de turismo Osvaldo Saldanha, que acompanhou o grupo.

Na opinião do jornalista carioca Arnaldo Martins, que participou de um press trip (viagem de imprensa), a experiência foi excelente pelo leque de opções ofertado ao turista, como o passeio nas pontes de bambu, elogiado por ele, que já conhecia a ilha. Martins pretende falar sobre a experiência em uma matéria especial para a Revista de Bolso, guia de turismo com circulação nacional, via mala direta, e com versão on line.

São Jerônimo - A cozinha de Jerônima Brito, que herdou a fazenda de seu pai Jerônimo, é reconhecida tanto no país quanto internacionalmente, onde é referência em revistas e livros especializados. Entre as sugestões oferecidas no almoço do grupo, estava a pescada branca ao molho de camarão e caranguejo, e o bife de búfalo, além de sobremesas e sucos regionais, como o creme de bacuri.

Seu esposo, Raimundo Cordeiro de Brito, conta que fez diversos cursos sobre construção de pontes para chegar ao protótipo das pontes feitas de bambu, uma criação exclusiva dele, que já pesquisa novos materiais para substituir o bambu, já que a palmeira dura pouco tempo, cerca de seis meses, dois deles só para a construção dos 20 metros de ponte.

No local, os visitantes também podem assistir a shows de danças típicas, visitar os pontos turísticos da cidade, fazer passeios a cavalo, trilhas de observação da fauna e da flora, entre outras opções.

PTCA - O Produto Turístico Combinado da Amazônia é um convênio de cooperação firmado entre os Estados do Pará, Amapá e Amazonas, a Guiana Francesa e o Suriname. Os Estados e países que integram a região amazônica negociam de forma integrada os produtos turísticos e roteiros ofertados e comercializados, junto aos mercados emissores nacionais e internacionais. Os Estados e países parceiros também participam conjuntamente de feiras de turismo, promoção e realização famturs e press trips e produção de material promocional.

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